Fragmentos da Agenda Mental

25/11/2009 por metasnalinguagem

Sonhar é acordar-se para dentro

Doar-se à parte mais in-visível

Mario QuintANA

Estranho

25/11/2009 por metasnalinguagem

 

…Quem é Benedito?

Quem é Expedito?

Quem é o estranho?

O que é ser estranho?

Quem é, quem não sei o que é?

Se o conhecesse?

Nesse encontro do estranho com o estranho,

onde à cada um é familiar familiarizar-se,

há sempre o estranho, negado, sublimado, amado…

Ana Paula Theiss Pereira 25/11/2009

Efeitos Caeiro Sobre uma Mente que Tenta se Abster de Pensar

26/09/2009 por metasnalinguagem

Se te assombra o que é o amor por não saber o que de fato ele o é, saiba que não saber o que ele é não impede que o amor seja, e que ele aconteça antes mesmo de você percebê-lo. Ele é e existe, tanto quanto é e existe também a sua ideia do que ele seja.


Se ele habita pela sua propriedade de ser, olhe pare ele também como ele o é, e não apenas como você imagina que ele possa ser. A propriedade definidora de existência das coisas é a própria coisa ser também a sua definição de existência.


Se em meio à angústia – que nasce como o revolto afetivo das clivagens humanas – a linguagem pudesse ser conduzida às beiradas de um precipício, e ser dali atirada aos ecos que as fissuras na terra ressoam, talvez os olhos pudessem olhar e ver, apenas ver, ver aquilo que existe tal como existe, e ver que existe! E ver que não é nada mais do que é. E que, sendo o sol o próprio sol, e as arvores nada além do que elas próprias, porque teria que ser o amor algo que só é se sei eu dele?


Se me dou por conta que o amor é para mim aquilo que ele realmente é, não suporto sua incisão e o assassino nos meus sentidos, o mato como ele me aparece, e o ressuscito sob a forma de como eu sei que ele pode ser, eu aí já não mais o vejo.


Se eu vou e procuro nas coisas aquilo que elas nada têm, procuro nas coisas aquilo que só em mim existe. E se por ventura, acho nas coisas aquilo que elas não têm, a sua existência dura o tempo que a minha ideia sobre o que ela é durar! Fujo da condição inefável das coisas convicta de que a ausência de palavras me acusa que das coisas nada sei, e concluo que elas nada são. Infausto fechamento que me impede de ver as coisas como elas são, pode ainda me libertar, caso eu reconheça e aceite que a minha propriedade de ser neste mundo de coisas só tem me permitido vê-las como elas não são.

Ana Paula Theiss Pereira

24/09/2009

Explorando a Textua-dua-lidade

01/09/2009 por metasnalinguagem

Exemplos de como as questões  sócio-comunicativas, constitutivas da textualidade,  subvertem a gramática textual.

 Quem ousa dizer que estes são textos incoerentes?

Vaguidão-Específica (Millor Fernandes). Exemplo de coerência pragmática, coerência construída no contexto dos atos de fala.

Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte. – Junto com as outras? – Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia. – Sim senhora. Olha, o homem está aí. – Aquele de quando choveu? – Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo. – Que é que você disse a ele? – Eu disse pra ele continuar. – Ele já começou? – Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse. – É bom? – Mais ou menos. O outro parece mais capaz. – Você trouxe tudo pra cima? – Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até a véspera. – Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite. – Está bem, vou ver como.

 

Circuito Fechado (Ricardo Ramos). Exemplo que ilustra como a falta de conectores, de elos de coesão,  não compromete a interpretabilidade textual.

 Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo; pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

O Caso Twiter

07/08/2009 por metasnalinguagem

 

Estava assistindo hoje 7 de agosto, um programa da TV Universitária da UFPE chamado Opinião Pernambuco. Foi a primeira vez que assisti, mas acompanhando todo o programa já foi possível mapear a proposta jornalística implícita!

O tema era: as facetas das dimensões do Público e Privado!

Estavam participando da mesa, um Juíz, uma Psicóloga, uma Socióloga professora da pós-graduação em sociologia da UFPE, e o Jornalista que conduzia o programa.

Falaram das mais variadas questões que desdobram-se do tema público e privado e por algum motivo, pousaram na questão twiter. Leia-se pousaram, como a minha leitura ao ver: …uma psicóloga amparadíssima na psicanálise, usando toda a lógica sutil e vital das forças do inconsciente como linguagem; um jornalista, que fazia colocações pertinentes, mas muito simples dentro da lógica à qual a colocação de fato pertencia; um jurista muito competente, extremamente culto, sagaz e espirituoso. A pessoa representante da lei de como a questão público e privado se organiza em outros países e como, então evoluir nosso modelo; uma drª em  Sociologia, que ao explicitar sua forma de analisar esta nossa sociedade, bem esta ocidental, de mercado, em particular de desigualdades sociais, extremamente coerente e pontual nas suas alfinetadas de natureza sociológica ao dizer: sabemos que podemos ter uma vida social melhor, é verdade que com o conhecimento que dispomos atualmente podemos ter uma sociedade mais igual. Por que então vivemos esse sadismo social institucional?…

     Todos discutindo questões extremamente ousadas. Mas quando foram tratar das tecnologias de mídia, e pousaram no temaTwiter, pecaram na forma de evidenciar o assunto. Os especialistas alegavam que os usos desta ferramenta,  têm demonstrado uma publicização exarcebada da vida e uma necessidade absurda de estar em contato. E pararam a discussão nisto!

      A partir disto, me vim à baila e pensei, bom, tem ótimos especialistas ali, mas ainda está faltando análise pra isso prosseguir. Foi aí que me convoquei a dissertar brevemente sobre o assunto Twiter, tornando explicito ainda que essas considerações que seguirão, são produtos também da minha bela e agradável estadia de férias em Santa.

    Não tomo o eixo da discussão Twiter  pela forma como foi primeiramente problematizado. Tento isolá-lo em cada possibilidade interpretativa que me permite. Do ponto de vista que me coloco, o Twiter como um hiper-texto, na condição de uso que encontra-se, deve ser analisado a partir da relação: usuário, texto, interlocutor. Os três elementos ( a) quem usa a ferramenta twiter; b) o próprio twiter na sua condição de hipertexto, possuindo características texto-interativas; e c) para quem o usuário endereça seu enunciado)  são suas partes constitutivas,  aquelas que caracterizam este fenômeno psicolinguisticovirtual.

            Poderíamos pensar o Twiter ainda, a partir de quatro eixos centrais de análise, onde se pode caracterizar suas:

1)  Informações de conteúdo: tudo aquilo que vira tema para o usuário;

2) Informações Contextuais: informações de perfil do usuário;  

3) Informações Macro-linguítico-visuais: aquilo que sustenta o twiter estruturalmente, os aspectos deste hipertexto que lhe conferem coerência texto-vizual;

4) Informações Microlinguístico-visuais: abreviações usadas na forma de escrever que sintetizam diálogos. Espécie de ícones texto-vizuais.

  Os dois primeiros eixos trazem para análise aquelas características que dizem mais respeito ao usuário e o jogo de linguagem com seu inter-locutor, já os dois últimos eixos evidenciam os aspectos do Twiter enquanto um gênero hiper-texto-visual sem ter sido ainda apropriado pelo usuário. Se selecionarmos um conjunto de usuários de Twiters e analisármos este instrumento comunicativo na perspectiva da relação usuário-twiter-interlocutor, pela ótica dos quatro eixos, podemos ter uma idéia inicial da manipulação discursiva, coletiva e individualizada, desta mais nova ferramenta virtual.

   Se é uma ferramenta boa ou ruim, necessária ou não, isso é um outro problema. Mas se pudermos falar em termos do que ela implica como surgimento e existência de mais uma nova forma de se comunicar, vou começar a querer tratar do assunto.

 

Ana Paula Theiss Pereira

Chegada e-u Partida

31/07/2009 por metasnalinguagem

 

 

Aeroporto, atrasos, abraços, choro, cigarros, estrada, casas, Tidi, Vinicius, Fran, conversa, escuta, concentração, olhos nos olhos, falar falar in.seguranças… falar…….telefonemas, trabalho, dad, bingo….. msn grupo chão, Lóka, teatro, Deison, ba(i)ladas….. voz que se perde…..amigos juntos, uns mais outra menos….. catarinense, praia, mãe, manos, tios, tias, Oma; Vinicius, Pequena, conversa, cds, vinho, janta, desabafar,  Diogo, implicar, derrubar cinzeiro, copos,  Tidi, Vinicius, Franzinha, meio do caminho, Flora, conversas: Deus, linguagem, teatro, caminhada, Psicanálise, Psicologia Cognitiva, Psicolinguística,  humor, atos falhos…..almoços, bads, goods, bailas.

 Partir…. Relutante, mas desejante

Dividir em partes, fazer porções, pedaços, quebrar, despedaçar, separar, fender, sulcar….. Distribuir, repartir, ir-se, partir-se, retirar-se, quebrar-se, romper-se……… Originar-se, pôr-se a caminho, principiar, seguir viagem…

(Sign)ificando o Título

28/07/2009 por metasnalinguagem
Escher

Drawing Hands, 1948. M. C. Escher

Como primeira postagem, gostaria de localizar meu  lei-nterlocu-tor quanto à escolha do título: Metas <na> Linguagem.

Questões relativas à linguagem vêm me colocando, me deixando, em dúvidas, dívidas, dividida, dando vida, há mais tempo do que possa, realmente, imaginar! Isso me ocorreu agora…  (pois pensei que ela tivesse me surgido somente nos estudos sistemáticos da faculdade, do mestrado e outros ados que ainda virão)… ao considerar como tenho e venho  refletindo a linguagem (e isso torna-se neste momento uma das minhas metas com este blog),  impossível ser somente uma preocupação de natureza acadêmica!

Minha pré-ocupação, com ou na, linguagem data minha concepção… aquele momento ainda (des)conhecido por minha mãe e por meu pai e continua: com a história que construíram durante o tempo que fui por eles gestada; com o momento que nasci; com meus primeiros olhares, gestos, choros, mamadas, balbuciadas, falas, escola; com meu crescimento, desenvolvimento, em envolvimento, envolvi, fui envolvida;  me construindo e (des)cobrindo o que construi, onde fui construída… e continua…

… A linguagem, agora, me vem como instrumento de entendimento do mundo. Do mundo que se constrói nos meus pensamentos. Então… entendimento de mim e do eu.  Entendimento em meta (como aquilo que se volta sobre si próprio) ou (como aquilo que é desejo de ser alcançado). 

Escrever sobre (e ou sob) a linguagem se tornou meu blog, porque além dela, falarei de mim e do eu.

Ana Paula Theiss Pereira